Uma instituição que vive de doações precisa responder a uma pergunta antes de pedir qualquer coisa: por que alguém deveria confiar em nós? Para mim, a resposta mais forte não é um discurso. É a transparência. Ela não é um custo da gestão. É o que sustenta a captação de recursos no longo prazo.
Obrigação e escolha
Prestar contas a quem fiscaliza é obrigação. Conselhos, poder público e auditoria têm o direito de conferir cada número de uma organização que recebe recursos. Mas prestar contas a quem confia é escolha. É decidir que a família atendida, o doador e o voluntário também merecem saber o que foi feito.
Em 26 de agosto de 2026, apresentei à diretoria e aos conselhos da APAE Barueri a prestação de contas dos oito primeiros meses de gestão. Foram 44 telas e uma memória de cálculo com 156 números rastreados até a fonte. Cada indicador tinha, atrás dele, o cálculo que o produziu e o documento de onde veio. Depois, publicamos o essencial no site, para que qualquer pessoa pudesse ler.
Por que a transparência atrai apoio
As pessoas tendem a apoiar mais quando compreendem a finalidade da doação e conseguem acompanhar o resultado do que foi feito. Essa clareza transforma doação em confiança. E confiança é um dos principais ativos de qualquer organização da sociedade civil.
Um exemplo é o doador automático, aquele que contribui todo mês. Na prestação de contas, mostramos que esse grupo passou de 1.105 para 1.337 pessoas, a caminho da meta de 1.800 até 2028. O doador recorrente é a base mais previsível que uma instituição pode ter: é o recurso que permite planejar o próximo semestre em vez de apenas reagir ao próximo mês. E ninguém se compromete todo mês com quem não mostra o que faz.
O que já está aberto
Transparência se mede pelo que está acessível, e não pelo que se promete. Hoje, quem quer conferir a APAE Barueri por fora encontra:
- a página de Transparência, com documentos públicos como balanços, demonstrativos financeiros, convênios e estatuto social;
- as demonstrações financeiras de 2025 auditadas, com parecer sem ressalva;
- o site adequado à Lei 13.019, o marco regulatório das parcerias entre o poder público e as organizações da sociedade civil;
- a Ouvidoria, canal aberto para elogios, sugestões, reclamações e denúncias, inclusive de forma anônima.
Nada disso é favor. É o mínimo que uma instituição que recebe recursos públicos e privados deve oferecer.
Transparência também é dizer o que ainda falta
Ser transparente não é mostrar só o que deu certo. É também dizer com clareza o que ainda está em construção. Quando uma iniciativa ainda não está pronta, ela não deve ser anunciada como pronta. Quando um número ainda não foi validado, ele não deve ser publicado como fato.
Essa disciplina tem um custo de curto prazo: às vezes, a notícia parece menos impressionante. Mas o ganho de longo prazo é muito maior. Uma instituição que não exagera é uma instituição em quem se pode acreditar quando ela pede ajuda.
O que as famílias responderam
A transparência também vale para dentro. Na prestação de contas, levamos à mesa o que ouvimos de quem usa o serviço. Numa pesquisa com 221 famílias, havia uma pergunta aberta, sem alternativas. Entre as respostas espontâneas, 53 famílias usaram a mesma palavra: acolhimento. Nenhum número financeiro mede isso, mas é esse resultado que dá sentido a todos os outros.
Um compromisso
A APAE Barueri tem 30 anos de história. A forma de honrar essa história é fazer com que cada real recebido possa ser acompanhado por quem o confiou a nós. Se você doa, é voluntário ou é parceiro da instituição, a prestação de contas também é sua. Acompanhe, pergunte e cobre. É assim que a confiança cresce.
Para conhecer as formas de apoiar a instituição, visite a página Ajude.




